Por Larissa Barros, oncologista do Núcleo de Oncologia da Bahia
Nossas mentes hoje em dia aprenderam a decodificar a palavra “câncer” sem o mesmo temor de outrora. Pessoas queridas que seguem sua jornada com esta doença fazem parte do nosso convívio, quer seja no trabalho ou em nossos lares.
Afinal, o que é câncer? Temos várias teorias envolvendo genética e biologia molecular, mas este não será o foco do artigo. Quando alguém descobre que está com câncer não deseja saber acerca de semântica ou ciência. O que se quer saber é como viver e sobreviver com a doença e até mesmo com o estigma que ela traz.
A idéia de imortalidade que permeia todos nós é quebrada quando se tem o diagnóstico e muitas pessoas passam a tratar o indivíduo com câncer como um ser mortal. Na verdade somos mortais, não existem deuses ou semideuses aqui na terra. Existem sim, pessoas que vivem intensamente, que descobrem o mundo e a efemeridade da vida, passando a ter consciência que estamos vivendo apenas uma fase da nossa existência e que por isto temos que aproveitar tudo de bom que nos é oferecido.
Nestes anos de trabalho em oncologia o convívio com os pacientes bravos e guerreiros tem me mostrado que uma nova vida se abre após o diagnóstico. Muita luz e perseverança. Muitas pessoas se descobrem mais bonitas, mais capazes, mais humanas. Conviver com estas pessoas é uma dádiva, temos que ser sábios para absorver e evoluir juntos. |